Seguindo…
Creio que todas as pessoas já tiveram a mesma sensanção que eu sempre tive, de ser alguém predestinado ao sucesso. E, assim como outras pessoas, o início foi promissor. E aí mora uma armadilha muito grande. Não era difícil me destacar nos primeiros anos da escola. Logo nas séries iniciais, meu desenvolvimento foi bem acima dos demais alunos, tanto que fui do primeiro ano escolar para o terceiro direto. Mas isso com 6 ou 7 anos de idade. Sim, com essa idade eu já conseguia ter essa visão de que o sucesso era questão de tempo. E, dessa forma, aquela pequena criança começou a cair na armadilha que o adolescente e o jovem adulto se afundaram. A falácia da inteligência inata, a qual ignora a necessidade do aprimoramento pelo estudo, atingiu em cheio os planos do sucesso certeiro.
No início, era fácil somente ir à escola e aprender tudo apenas com as explicações dos professores. Mas, com o tempo, com o aumento da quantidade de informação e, principalmente, com a complexidade das matérias, tal feito tornou-se inviável. Então, a frustração de não ser mais aquele prodígio bateu com força e nocauteou o jovem. Eu já não era mais um expoente no meio dos comuns. Eu era como o vasco da gama, um time que já teve seus dias de grandeza e glória mas que agora luta pelo meio da tabela, sem grande destaque. Por um tempo, acabei aceitando que seria assim. Porém, alguns lampejos daquele pequeno prodígio ainda apareciam. Quem estava ao meu redor percebia que eu poderia ir mais longe do que minhas atitudes me permitiam. Mas eu já estava abatido, pois havia me acostumado com o conhecimento fácil, havia me acostumado a não precisar lutar.
A zona de conforto…
Desse jeito, vi muitos colegas que eram considerados medianos se esforçarem e conquistarem coisas admiráveis. Sempre fiquei muito feliz por eles. Bom, falando dessa forma, parece que eu não conquistei nada, né? Pelo contrário, mesmo sem todo o brilho que eu achava que minha inteligência poderia ter atingido, fui aprovado em meu primeiro concurso público ao 18 anos, no qual ainda me encontro, e fui um dos primeiros da minha turma escolar a conseguir um emprego estável e com um salário relativamente bom para nossa idade.
Contudo, nem tudo o que brilha é ouro. Quando nós nos inserimos em um meio novo, o que aconteceu quando passei no concurso, ou nós incorporamos a cultura daquele meio, ou somos resilientes o suficiente para quebrar o paradigma e não permanecer preso a ele. Assim que tomei posse, eu percebi que aquela atividade não era o que eu gostaria de fazer para o resto da minha vida. Com isso, tomei a decisão de permanecer somente o tempo necessário para me aperfeiçoar para conseguir algo melhor e trocar de carreira. Mas, a segurança da estabilidade me abraçou e me mostrou o quanto é aconchegante permanecer na zona de conforto. Mais uma armadilha que eu permeneci por um bom tempo na minha vida. Mas isso é assunto para outro momento.
Por hoje, that is all folks.


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