Tristeza e saudade
O ser humano não nasceu para viver sozinho. Essa é uma máxima que nós crescemos ouvindo e parece ser somente mais um dos clichês que nos rodeiam. Mas não, dessa vez, é verdade esse bilhete. Nossa finitude faz com que criemos laços afetivos muito fortes com nossa família, nossos amigos, nossos animais de estimação, enfim, nosso círculo de convivência. O problema começa quando esses laços são quebrados ou interrompidos de alguma forma, seja pelo falecimento de alguém amado, pela distância causada por uma mudança, seja pelos desencontros da vida, ou, até mesmo, pelas desavenças e decepções que nos afastam de pessoas que acreditavamos que seriam permanentes em nossa existência.
De certa forma, todos já passaram por esse tipo de situação. Uma das primeiras crises que enfrentamos, e talvez consigamos recordar com certa clareza, é o primeiro dia de aula e a separação do aconchego e segurança do nosso lar para sermos jogados na selvageria do jardim de infância, onde somos somente mais um, precisamos aprender a dividir e descobrimos que não somos o centro do universo de todas as pessoas. Com o tempo, fomos aprendendo um pouco mais sobre esse processo de despedidas e passamos a perceber que nossa luta diária na escola termina ao fim da manhã, ou da tarde, quando nossos salvadores vinham nos buscar e nos levar de volta ao nosso cantinho quentinho e seguro.
Mas existem outras separações mais graves e mais difíceis de lidar
Amigos que vem e amigos que vão
Outra máxima que seria um clichê mas que também é verdade é aquela que afirma que nós somos a média das pessoas com quem mais convivemos. Por mais que alguém queira negar que não é influenciado por outra pessoa, é inescapável a nossa maleabilidade para nos moldarmos àqueles com quem convivemos mais.
Por óbvio, nosso instinto e nossa intuição nos levam a criar vínculos de amizade com pessoas que possuem algo em comum conosco, sejam opiniões, valores, gostos, sonhos… Mas, ainda assim, cada pessoa carrega a sua própria bagagem de vida e sempre deixa um pouco dela como presente para nós. Não um presente dado de propósito, mas algo que acontece de forma espontânea como uma troca. Sem perceber, incorporamos o jeito de falar de nossos amigos, algumas de suas manias, descobrimos gostos novos por causa deles e, sem perceber, as relações se transformam em um ser vivo que incorpora um pouco de cada um e possui personalidade própria. Tanto é verdade, que nós interagimos de formas diferentes em cada grupo social a que pertencemos.
Essas relações formam conexões que nos acostumamos a ter. Mas, o mundo é uma caixinha de surpresa. Da mesma forma que nos traz pessoas maravilhosas para nosso convívio, em algum momento, as tira de perto de nós. Então, quando isso acontece, precisamos passar por todos os estágios do luto: negação, raiva, barganha, depressão e aceitação. Cada uma dessas fases possui seu desafio próprio, mas todas elas reforçam aquela primeira máxima: o ser humano não nasceu para viver sozinho.
Caso particular…
Particularmente, estou no início desse processo. Amigos muito queridos acabaram de se mudar de cidade. Nos dias que antecederam a despedida derradeira, tudo parecia que ia permanecer igual, mas acho que era somente meu subconsciênte evitando pensar na dor da perda. Óbvio que não é uma perda literal, basta pegar um avião e ir visitá-los. Mas nosssa convivência diária, nossas piadas que somente nós entendiamos, nossas conversas que não podiamos ter com outras pessoas, tudo isso não vai existir mais no dia a dia. Tudo isso ficou claro quando finalmente nos despedimos, ao custo de muitas lágrimas e muita nostalgia.
Assim, nos resta conviver com a saudade e supri-la com os meios tecnológicos que, graças a Deus, encurtam as distâncias hoje em dia.
Por hoje, that is all folks!


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