A Dicotomia: Estabilidade do Concurso vs. Liberdade do Empreendedorismo

Mudar ou mudar

Voltando ao dilema profissional. O meio em que vivemos influencia nossas escolhas. Ou nos adaptamos a ele e incorporamos sua cultura, ou nos vemos como estranhos e nunca nos sentimos pertencentes. Comigo ocorreu a segunda hipótese. Na verdade, no início da minha caminhada no atual cargo, tentei me incluir e me adaptar à cultura geral da organização. Mas sempre existiram valores e características que muito antagônicas entre o que eu carrego e o que a organização prega.

Além de mim, conheço outras ovelhas negras desse sistema. Vários colegas compartilham da mesma frustração. Contudo, poucos conseguiram ter a força e a resiliência para alterar o rumo das coisas. Empiricamente, bastaria mudar de ambiente/trabalho, mas nos acostumamos com a estabilidade e nos tornamos seus escravos. O medo nos freia de tentar algo mais ousado. Por isso, a única saída que nossa visão limitada consegue enxergar é prestar outro concurso público. E foi o meu pensamento dominante por um bom tempo. Dessa forma, nos restam apenas duas opções: mudar e aceitar a cultura interna do órgão ou mudar e fazer algo para sair desse meio, mudar ou mudar.

Vamos fazer o que precisa ser feito

Uma das principais características do meu órgão atual é o mantra de que aquilo que precisa ser feito vai ser feito da melhor forma possível, independentemente dos recursos disponíveis. Escuto com muita frequência que nosso pessoal é motivado e proativo. De certa forma, eu acreditava nisso, pois, algumas vezes, presenciei esse tipo de situação: sem meios suficientes as coisas, no fim, aconteciam com excelência.

Contudo, com o passar do tempo, a mentalidade do funcionário público comum começou a crescerno âmago do nosso pessoal. Pelo princípio da legalidade, nós, agentes públicos, só podemos fazer o que a lei permite. Assim, essa salva guarda para o exercício do funcionalismo público, virou um escudo para não se executar tarefas que não estivessem expressamente escritas na lei que regula o cargo que a pessoa ocupa. Se na lei do cargo for previsto que o seu ocupante deve ensaboar um copo sujo o funcionário irá tão somente ensaboar o copo sujo, pois a lei não previu entre as suas atribuições enxaguar o copo sujo.

Infelizmente, a proatividade em querer que as coisas andem é suplantada pelo comodismo que a legalidade relega àqueles que se escondem atrás dela. Novamente, resta-nos decidir: unirmos nesse coro covarde, ou mudar.

Modelo replicado

Alguns acontecimentos recentes baseados no que escrevi até aqui me levaram a refletir: se aqui, onde a cultura interna incentiva atingir os objetivos em prol do bem comum, ocorre esse tipo de omissão (só fazer a previsão legal), imagine em outros órgãos. Para ratificar minha reflexão, procurei alguns amigos de outros órgãos que ocupam cargos de vários níveis diferentes. A resposta sempre foi a mesma: se aí é assim, aqui é muito pior.

Então o questionamento surgiu: por que me submeter ao risco de continuar convivendo com pessoas com esse perfil?

Dicotomia: concurso X empreender

Me frustra muito ver que pessoas sem muita vontade e sem quase nenhuma proatividade me cercam. Mas isso é culpa minha. Como ocupante de cargo público, eu não posso escolher com quem vou trabalhar. Sou refém das escolhas da chefia. Chefia essa que é ineficaz em perceber as forças e fraquezas de seu pessoal e se limita tão somente a ver o seu cargo.

Por outro lado, no mundo do empreendimento, nós somos os donos das nossas escolhas. Na condição de empreendedor, podemos selecionar o perfil de cada pessoa que vai nos acompanhar na caminhada do empreendimento.

Diante disso, estou em um momento crucial em minha vida. De um lado, tenho a mentalidade da estabilidade que o cargo público oferece, por outro, tenho a liberdade que o empreendedorismo pode me dar. Aguardo as cenas dos próximos capítulos e espero conseguir mais clareza para escolher qual rumo tomar.

Por hoje, that is all folks!


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